QCon San Francisco 2008 – Entrevistas

Semana passada participei da QCon San Francisco 2008. Um evento da InfoQ que une diversos grandes nomes em diferentes áreas da tecnologia. Assuntos como Agile, SOA, Rest, Ruby e muito mais. Durante o evento, eu fiz várias entrevistas em áudio com alguns desses nomes.

  • Yehuda Katz – da Engine Yard, Mantenedor do Merb, nos explica sobre o novo framework Web Merb, a biblioteca de ORM DataMapper e as recentes discussões sobre frameworks Web em Ruby.
  • Jan Lehnard e Chris Anderson – Core Committers do CouchDB, nos levam numa extensa jornada sobre o banco de dados orientado a documentos, CouchDB. Do que se trata, quais as principais características e onde ele se encaixa nesse novo cenário de bancos de dados não-relacionais.
  • Nick Sieger – da Sun, Core Committer do JRuby, nos fala mais sobre o desenvolvimento do projeto JRuby, sobre como ele já é estável, rápido e compatível com o Ruby MRI (o oficial). Fala também sobre sua adição de Connection Pools no novo Rails 2.2.
  • Francesco Cesarini – da Erlang Training and Consulting, com seus 15 anos de experiência com a linguagem Erlang, nos explica porque essa linguagem é tão poderosa e como a boa e velha programação funcional acidentalmente resolve os problemas modernos de computação paralela, concorrência e escalabilidade massiva.
  • John Straw – da YellowPages.com, nos conta como sua equipe substituiu um antigo projeto legado Java de 150 mil linhas de código, por um sistema altamente escalável de apenas 13 mil linhas de código Ruby on Rails, onde metade são testes automatizados.
  • Matt Aimonetti – Core Commiter e principal Evangelizador do projeto Merb, nos explica quais as diferenças com Ruby on Rails, em que cenários ele leva vantagem, suas principais características e aplicações.
  • Ola Bini – da ThoughtWorks, num especial de quase 2 horas de duração, detalha diferentes estilos de programação que são ignorados pelo mercado de programação mas que agora voltam a ser altamente relevantes. Lambdas, High Order Functions, Prototypes, Condition System, Side-Effects, Message Passing e muito mais.

Dentre alguns dos keynotes do evento, tanto Kent Beck quanto Tim Bray discutiram sobre tendências. Foi muito interessante notar que ambos estão ohando para CouchDB com muito interesse. O fato de haver várias palestras sobre Ruby, Erlang e assuntos relacionados também me deixou muito interessado. Além disso, claro, tivemos grandes nomes como Martin Fowler, Eric Evans, Ralph Johnson falando sobre Agile, Domain Driven Design e outros assuntos relacionados ao mundo Ágil.

Todos que estão envolvidos no mundo de tecnologia – e realmente gostam de tecnologia – provavelmente já devem estar adorando a idéia de que finalmente programação funcional talvez encontre seu nicho num mercado maior, o de alta escalabilidade. Para isso linguagens como Erlang provavelmente serão mais usadas.

Aos não iniciados, vamos recapitular: o mercado ‘atual’ fala muito de Java, C#, PHP. A maioria das faculdades prepara as pessoas apenas para essas plataformas, paradigma Imperativo e Declarativo, derivados da era Fortran. Isso é pouco.

Se ainda não perceberam, chegamos ao fim da era do Gigahert, onde para um programa rodar mais rápido bastava esperar no ano que vem surgir um processador com mais Gigahertz. O mundo agora é de processamento paralelo. Qualquer notebook hoje já vem equipado com dois Cores.

Nesse sentido, programação monolítica é um problema grave. Programação com threads também não ajuda em nada e é recomendado somente se tudo que poderia ser feito antes já foi feito. Thread é algo tão ruim quanto os antigos GOTOs. O problema: estado compartilhado de memória. A solução: programação livre de efeitos colaterais.

Por acaso é exatamente isso que uma outra linhagem de linguagens vêm fazendo há décadas: as Linguagens Funcionais, derivadas de Lisp. Erlang é uma linguagem dessa categoria, criada pela Ericsson há 20 anos para criar sistemas de telecomunicação de altíssima-disponibilidade.

Linguagens orientadas a objeto como C# já flertaram com parte dessa idéia com construções como LINQ, que está na última versão do C#.

Erlang, por sua vez, foi usado para criar dois dos bancos de dados que estão para mudar o ambiente Relacional: o Amazon SimpleDB e o Apache CouchDB, o primeiro comercial e o segundo open source, ambos são bancos de dados não-relacionais, orientados a Documentos.

Esqueçam Joins, esqueçam chaves estrangeiras, triggers, stored procedures. Num mundo Web de crescimento massivo, esse tipo de recurso simplesmente não escala. Para ter uma idéia, existe hoje um projeto chamado Drizzle, que é uma versão do MySQL sendo modificado para não ter nenhum dos recursos que mencionei aqui. Sites enormes, como Facebook e Digg, simplesmente não usam mais esses recursos. Em cenários onde alta escalabilidade é um objetivo, a solução é escapar das limitações do mundo relacional e o CouchDB é um maiores proponentes a isso.

Finalmente, está claro que a filosofia Ágil já se provou com a única forma de desenvolver software de maneira sustentável, com qualidade e sucesso. Ainda há muito a se aprender, muitas pessoas e empresas ainda não entenderam como estão jogando dinheiro fora com metodologias tradicionais, mas num mundo em crise financeira, onde cada dólar gasto precisa ter valor, é uma boa hora para pensar de maneira séria em desenvolver software da maneira correta: com metodologias (e, principalmente, filosofia) Ágil e tecnologia Open Source.

O que eu vi na QCon está muito claro: a tendência é que os melhores programadores do mercado serão efetivamente os que dominarem não somente as tecnologias tradicionais (linguagens imperativas, bancos relacionais) mas também as que vão efetivamente solucionar os problemas de escalabilidade (linguagens funcionais, bancos não-relacionais) e, mais do que isso, as empresas de sucesso serão somente as que realmente entenderem a maneira Ágil de se pensar em software.

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Uma resposta to “QCon San Francisco 2008 – Entrevistas”

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